Fundação Khyentse e a universidade taiwanesa estão reduzindo uma antiga lacuna do Cânone Budista

Dzongsar Khyentse Rinpoche e o Venerável Hui Min no evento da Universidade Budista Dharma Drum para anunciar o apoio da fundação Khyentse ao projeto de tradução. Foto de Pawo Choyning Dorji

Dzongsar Khyentse Rinpoche e o Venerável Hui Min no evento da Universidade Budista Dharma Drum para anunciar o apoio da fundação Khyentse ao projeto de tradução. Foto de Pawo Choyning Dorji

6 de Março de 2013 (Taipei, Taiwan) —

Depois de décadas de treinamento e aperfeiçoamento de eruditos e tradutores budistas em Taiwan, a Universidade Budista Dharma Drum (DDBC), em associação com a Fundação Khyentse, está lançando um importante projeto de tradução para tornar os textos clássicos do Budismo Tibetano disponíveis para leitores chineses.

Em março de 2014 a Fundação Khyentse e a DDBC (Taiwan), realizaram uma cerimônia oficial para marcar o começo desta sociedade que financiará a tradução dos textos tibetanos para chinês, e para treinar tradutores na Dharma Drum em Taipei. Esta colaboração ambiciosa pode ser a primeira deste tipo, com potencial para provocar um impacto de significado histórico no campo das traduções de textos budistas. Mais de 200 pessoas participaram na cerimônia, que foi liderada por Dzongsar Khyentse Rinpoche e o Venerável Hui Min, presidente da DDBC.

Uma vez traduzidos, os textos budistas em Sânscrito e tibetano completarão as sessões faltantes no Cânone Chinês, um acréscimo bem vindo para a herança cultural chinesa. De acordo com sua missão de dar apoio ao estudo e prática do budismo, a Fundação Khyentse concordou em financiar um projeto piloto de 1 ano para investigar a sustentabilidade deste projeto e também para reunir contribuições de outros especialistas da área. A experiência da FK nestes campos inclui o estabelecimento do projeto 84000: Traduzindo as palavras do Buda, um projeto de peso, cujo objetivo é traduzir de tibetano para inglês o Kangyur e o Tengyur, e tornar amplamente disponíveis estas traduções.

Textos budistas chineses e tibetanos foram primeiramente traduzidos do Sânscrito e do Páli. No entanto, por conta de diversos fatores históricos, geográficos, políticos e culturais, alguns textos budistas hoje estão disponíveis somente em tibetano ou em chinês. Mais de mil sutras e comentários budistas não estão disponíveis no Cânone Chinês, sem contar os textos tântricos.

Muitos budistas vêm há muito desejando a tradução dos textos tibetanos para chinês. Contudo, para executar este projeto, o time de tradução precisa se especializar em chinês clássico, tibetano e sânscrito, assim como ter profundo entendimento da filosofia budista. Poucas instituições acadêmicas no mundo estão equipadas para executar um projeto desta monta.

O professor Sonam Wangyal, erudito tibetano e diretor do projeto, explicou que o Cânone Tibetano completo já foi traduzido para mongol e manchu por quatro vezes no passado. O estabelecimento de um projeto de tradução de tibetano para chinês numa instituição acadêmica atual será um marco na história budista, acrescentou ele.

A DDBC também está iniciando programas para treinar mais tradutores e receber eruditos que compartilham as mesmas aspirações dos grandes tradutores chineses como o Mestre Xuan Zang e Kumarajiva. A DDBC ainda planeja conduzir estudos comparativos de textos sânscritos, chineses e tibetanos.

Após a cerimônia oficial o Rinpoche deu uma palestra chamada “Traduzindo as Palavras do Buda”.

 

# # #