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Por Greg Forgues

Greg tem sido um aluno de Dzongsar Khyentse Rinpoche desde 1999. Enquanto vivia no Vietnã trabalhando como gerente de projetos para investimentos europeus, começou a aprender meditação na Birmânia e, desde então, praticado sob a orientação do Rinpoche. Greg é um instrutor do programa de treinamento Dharmadas do Rinpoche. Ele também tem traduzido, nos últimos 2 anos, os sutras para o projeto 84000. Pai de dois adolescentes, Greg vive atualmente na Áustria, onde está concluindo sua tese de doutorado na Universidade de Viena. Ele é especialista em Sânscrito e em tradições filosóficas tibetanas e tem ministrado palestras, nos últimos três anos, sobre Budismo e métodos acadêmicos.

Em julho de 2013, a maior conferência já realizada da Associação Internacional para Estudos Tibetanos (AIET) ocorreu na capital da Mongólia, Ulaanbaatar – foi a primeira vez que este seminário aconteceu na Ásia. Nos últimos seis anos, a AIET foi presidida por Charles Ramble de Paris que, no final do seminário, passou a presidência para Tsering Shakya.

Este seminário de uma semana consistiu em cerca de 100 painéis, com mais de 600 estudiosos apresentando temas que tratavam desde as alterações climáticas tibetanas à filosofia Dzogchen. A AIET é vista como uma oportunidade para os estudiosos do Tibete apresentarem suas pesquisas aos colegas, bem como mapearem a direção que o campo tem tomado.

Considerado o principal evento social para esta disciplina, é também uma oportunidade de conviver com os nossos estudiosos favoritos. Eu mesmo tive a rara oportunidade de conhecer eminentes estudiosos de história, idioma, cultura e religião tibetanos, incluindo Leonard Van der Kuijp de Harvard, Vesna Wallace e José Cabezón de Santa Barbara, Matthew Kapstein de Chicago e Dorji Wangchuk de Hamburgo, para citar apenas alguns.

Embora eu esteja atualmente escrevendo minha dissertação na Universidade de Viena sobre a interpretação de Mipham sobre as Duas Verdades da “filosofia” Budista, decidi apresentar na AIET minha pesquisa de mestrado em práticas rituais de Gesar. Curiosamente, mais tarde, descobri que os mongóis consideram Genghis Khan como uma encarnação de Gesar. Deuses guerreiros desempenham um papel importante no Budismo mongol e na iconografia e ritual xamânicos, por isso, não foi surpresa que o grande herói da história mongol esteja associado ao rei Budista Gesar.

A Universidade de Viena manteve uma presença de destaque na conferência, particularmente nos painéis de história da arte liderados por Deborah Klimburg-Salter, assim como nos painéis de Estudos Budistas sobre o Mahamudra, convocados por Klaus-Dieter Mathes. A Universidade de Viena e a Academia Austríaca de Ciências têm fortes reputações na Europa em relação a Estudos Tibetanos e Budistas tanto em tradições sânscritas como tibetanas.

Este ano, a Fundação Khyentse está financiando o desenvolvimento de um programa de tradutores na Universidade de Viena, que irá apoiar o treinamento de estudantes para tradução de textos do Dharma utilizando métodos e recursos acadêmicos.

O seminário AIET também proporcionou uma oportunidade de explorar possíveis colaborações entre grandes instituições para desenvolver novos programas e ferramentas para pesquisa, incluindo o desenvolvimento de bibliotecas digitais e cursos de formação linguística. A mim foi possível conhecer Jeff Wallman e Michael Sheehy do Centro de Pesquisa Budista Tibetana (CPBT), que estão trabalhando incansavelmente para a conservação de material textual Budista no mundo digital.

A Mongólia está agora tentando reintroduzir e revigorar o Budismo em um local onde a religião tem sido sistematicamente reprimida por gerações. A Universidade da Mongólia está genuinamente interessada em desenvolver seu programa de Estudos Budistas. A universidade também está trabalhando com a biblioteca nacional da Mongólia, que abriga numerosos textos de dharma, muitos dos quais ainda não foram catalogados nem digitalizados. A realização do seminário AIET este ano na Mongólia contribui para as causas e condições necessárias ao desenvolvimento das instituições acadêmicas no País. Além disso, este evento tem ajudado a construir pontes entre os estudiosos das várias culturas e tradições acadêmicas, a fim de promover o estudo da cultura Tibetana, bem como para preservar o dharma.

Além de participar da conferência AIET, Greg se reuniu com Dean M. Bayarsaikhan da Universidade Nacional da Mongólia e Orna Tsultem, professor visitante da NUM patrocinado pela KF, para explorar um possível apoio da KF para o desenvolvimento de um centro interdisciplinar de Estudos Budistas e pesquisa na NUM.